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Cinema

A Revolução dos bichos mostra o quanto as escolhas de produção podem condenar um filme

Por vizyons
a revolução dos bichos crítica

É verdade que algumas histórias só devem chegar às telas através de uma animação. Mas também é esperado que estas mesmas tramas fantásticas sejam tratadas com o real cuidado que merecem. A Revolução dos Bichos começa errado achando que, porque um filme tem que ser animado, seu público deve ser infantil. A partir daí o caminho é derradeiro.

A adaptação da obra homônima de George Orwell chega aos cinemas nesta quinta-feira, 28 de maio, sob a tutela do diretor e ator Andy Serkis. A história, assim como no livro, segue Lucky e seus companheiros que se rebelam contra os humanos e criam sua própria sociedade na fazenda. Tudo vira de ponta cabeça quando, ao invés de seguir o lema de que todos os animais são iguais, alguns indivíduos desejam agir para o seu próprio prazer.

Infelizmente, eu não acredito que essa adaptação deveria ser direcionada ao público infantil por alguns motivos. O primeiro deles é a fatídica escolha de estilo de animação. Esse design que se envereda numa linha entre Disney e Vídeo Brinquedo, responsável pelo estimado Ratatoing, revela a incapacidade da direção de encontrar o tom do filme. Como que esta seria uma crítica séria e explicita ao capitalismo e ao racismo se o protagonista é esse:

Lucky, o porquinho mais influenciável dos cinemas. Foto: Reprodução

Segundo que, apesar de esta não ser a primeira crítica à sistemas opressores destinada a crianças, por o roteirista ter escolhido ser tão óbvio, a história é incapaz de cativar o público infantil sem deixar traumas e uma conta imensurável do psicólogo. E se o público infantil, que perdoaria esse estilo horrendo e antiquado de animação, não assistiria, a quem é direcionada A Revolução dos Bichos?

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Tentando apelar para os pais das crianças, Andy tenta impressionar com o casting. De fato, reunir Gaten Matarazzo, Jim Parsons, Glenn Close, Woody Harrisson, Kieran Culkin, Seth Rogen e Laverne Cox é impressionante. Mas dar atenção a uma história bagunçada e sem apelo algum é um feito hercúleo e um elenco estrelado e, diga-se de passagem, premiado não é o suficiente.

Os erros de roteiro numa animação boa seriam perdoados, assim como uma animação duvidosa com uma história intrigante resultaria num filme cult. Mas o lançamento erra nas duas partes. No fim, a história deveria ser entregue na mão de outro estúdio, outro roteirista, outro diretor… talvez o elenco poderia permanecer.

Foto: Reprodução

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