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Fome da Cultura

5 museus para conhecer em Curitiba

Por vizyons

Curitiba nasceu cultural. A cidade conta com inúmeros espaços dedicados a cultura nacional, paranense e curitibana. Dentre eles, os museus são as jóias da coroa da capital. Você provavelmente já passou na frente de pelo menos um deles sem entrar. E, para você que ama aprender um pouco mais ou admirar grandes obras de arte, separei 5 museus que você precisa conhecer aqui na cidade. 

Quer saber o que acontece de saboroso na cidade? Confira aqui!

Museu Casa Alfredo Andersen

Tem um casarão no bairro São Francisco que merece atenção. Construído no fim do século 19, ele foi residência e ateliê de Alfred Emil Andersen, um pintor norueguês que chegou ao Brasil, se apaixonou por Curitiba e passou o resto da vida por aqui. É por isso que ele é chamado de “o pai da pintura paranaense”: não nasceu no Paraná, mas foi ele quem formou a primeira geração de artistas visuais do estado.

O museu guarda mais de 400 peças entre obras originais, estudos, objetos pessoais e trabalhos de alunos e discípulos que passaram pela escola que ele fundou no mesmo espaço. A visita é uma espécie de mergulho biográfico: você vê como ele pintava e como ele vivia, no mesmo lugar. Gravuras, cerâmicas e obras de outros artistas brasileiros da segunda metade do século 20 completam o acervo.

Além da exposição permanente, o espaço oferece ateliês de arte com cursos de curta duração para adultos, e o Centro Juvenil de Artes Plásticas (CJAP) promove oficinas para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.

Curiosidade: Andersen chegou ao Brasil em 1892 e se estabeleceu definitivamente em Curitiba em 1902. Ele ensinava pintura para quem quisesse aprender, independente de classe social ou origem. Seu ateliê virou escola e sua escola virou legado.

Endereço: Rua Mateus Leme, 336 – São Francisco

Funcionamento: Terça a sexta, das 9h às 18h | Sábado e domingo, das 10h às 16h

Entrada gratuita

Memorial Paranista

Fica dentro do Parque São Lourenço e só isso já torna a visita especial. Mas quando você entra no jardim e começa a andar entre as esculturas de bronze em tamanho monumental, o parque deixa de ser o fundo e vira parte da obra.

O Memorial é dedicado a João Turin (1878–1949), o maior escultor paranaense e um dos principais nomes do movimento Paranista, um movimento cultural do início do século 20 que buscava criar uma identidade visual própria para o Paraná, usando símbolos como o pinhão, a erva-mate e a onça-pintada. Turin passou a vida traduzindo essa identidade em bronze.

Foto: Reprodução/Top View

O complexo reúne quase 100 obras do artista distribuídas entre o jardim externo e as salas internas. No Jardim das Esculturas, 15 obras em proporções heroicas foram reproduzidas em bronze, a maior delas, “Marumbi”, tem quase 3 metros de altura e pesa cerca de 700 kg. Dentro, estão peças como “Homem Pinheiro” e “Pedagogia”, além de painéis com a trajetória de Turin, reproduções de desenhos e vídeos documentais.

O espaço ainda tem o Ateliê de Esculturas e a Fundição Turin, com fornos reais de derretimento de bronze, onde é possível ver o processo ao vivo durante as visitas mediadas, além de teatro, liceu de artes e loja de produtos de artistas curitibanos.

Curiosidade: Das 15 esculturas ampliadas do jardim, 12 foram compradas pela Prefeitura junto à família que detém os direitos autorais de Turin. As outras foram doadas e cedidas em comodato. A coleção total só foi possível pela junção de esforços entre poder público, família do artista e iniciativa privada.

Endereço: Rua Mateus Leme, 4700 – São Lourenço

Funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h

Entrada gratuita. Visitas mediadas: quarta a sexta, às 10h e às 14h, mediante agendamento

MAI — Museu de Arte Indígena

Em 1997, a administradora de empresas Julianna Podolan visitou uma aldeia no Mato Grosso do Sul e saiu de lá com uma obsessão. Durante os anos seguintes, ela percorreu aldeias por todo o Brasil, comprando peças, pesquisando etnias e construindo um acervo que não existia em nenhum outro lugar do país com esse grau de dedicação e especificidade.

Em 2016, o MAI abriu as portas no bairro Água Verde e se tornou o primeiro museu particular do Brasil dedicado exclusivamente à produção artística indígena. Hoje, com mais de 1.500 peças originais, entre arte plumária, cerâmica, cestaria, instrumentos musicais, máscaras ritualísticas e objetos utilitários, tem um dos maiores acervos do mundo nessa área.

Foto: Reprdução

O objetivo da fundadora é claro: desconstruir a imagem do “índio genérico” que aparece nos livros didáticos e mostrar a diversidade geográfica, linguística, cultural e física das etnias brasileiras. É exatamente o que a visita faz. Você sai de lá com uma percepção diferente do que é a cultura indígena no Brasil.

Curiosidade: Em 2022, a Assembleia Legislativa do Paraná homenageou Julianna Podolan com um diploma de Menção Honrosa pelo trabalho à frente do MAI. Durante a cerimônia, ela destacou a falta de apoio institucional e incentivos para museus fora dos circuitos turísticos consagrados.

Endereço: Av. Água Verde, 1413 – Água Verde

Funcionamento: Segunda a sexta, das 10h às 17h30 (último ingresso às 17h) — não abre nos fins de semana

Entrada: R$ 32 inteira | R$ 16 meia-entrada

MIS-PR — Museu da Imagem e do Som do Paraná

O prédio já é motivo de visita. O Palácio da Liberdade, na Rua Barão do Rio Branco, foi construído entre 1870 e 1880 e serviu como primeira sede oficial do Governo do Estado do Paraná por quase 50 anos. É tombado como Patrimônio Histórico e Cultural do estado desde 1977. Hoje, dentro dele, vive um dos mais importantes acervos audiovisuais do Brasil.

O MIS-PR foi criado em fevereiro de 1969 e é o segundo museu do gênero mais antigo do país. Seu acervo tem mais de 3 milhões de itens: fotografias, negativos em acetato e em base de vidro, filmes em 8mm, 16mm e 35mm, fitas de áudio, discos em vinil, documentos manuscritos e uma coleção tridimensional com centenas de equipamentos históricos: rádios, câmeras fotográficas, moviolas, projetores, radiolas. Uma viagem física no tempo.

Foto: Anderson Tozato/SEEC

A programação é ativa: cineclubes, mostras de cinema, workshops, palestras e exposições temporárias que frequentemente abordam questões contemporâneas de direitos humanos a tecnologia. Para pesquisadores, o acervo pode ser consultado presencialmente mediante agendamento.

Curiosidade: O MIS-PR nasceu em plena ditadura militar, num período em que o patrimônio audiovisual brasileiro ainda não tinha nenhuma política nacional de preservação. Foi uma iniciativa pioneira e continua sendo referência até hoje.

Endereço: Rua Barão do Rio Branco, 395 – Centro

Funcionamento: Terça a sexta, das 10h às 19h | Sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h

Entrada gratuita

MUPA — Museu Paranaense

O MUPA foi fundado em 25 de setembro de 1876 e é, ao mesmo tempo, o terceiro museu mais antigo do Brasil e a primeira entidade científica do Paraná. Quando surgiu, por iniciativa de Agostinho Ermelino de Leão e José Candido Murici, o acervo inicial tinha 600 peças: objetos, artefatos indígenas, moedas, pedras, insetos, pássaros e borboletas. Era o início de algo que se tornaria uma das coleções mais significativas da América Latina.

Hoje, o acervo tem aproximadamente 500 mil itens divididos entre arqueologia, antropologia e história do Paraná. Manuscritos, fotografias, móveis, armas, uniformes, vestuário, quadros, esculturas, ferramentas, porcelanas, moedas e medalhas — é um mapa físico do que foi o Paraná desde seus primeiros registros. A Biblioteca Romário Martins, dentro do MUPA, guarda cerca de 10 mil exemplares, incluindo obras raras sobre a história do estado.

Foto: Eduardo Macarios

Nos últimos anos, o Museu passou a operar com uma proposta de diálogo entre passado e presente: arte contemporânea convive com o acervo histórico no mesmo espaço. A sede atual é o Palácio São Francisco, no bairro Alto São Francisco.

Curiosidade: Em 1882, o Museu Paranaense deixou de ser uma iniciativa particular e passou a ser um órgão oficial do governo tornando-se também a primeira instituição científica do Paraná, num estado que tinha menos de 30 anos de emancipação política.

Endereço: Rua Kellers, 289 – São Francisco

Funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 17h30

Entrada gratuita

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