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Fome da Cultura

O show mais contagiante do Festival Coolritiba

Por vizyons
A apresentação foi a segunda da cantora com o novo formato. Foto: Ian Rassari

Em sua oitava edição, o Festival Coolritiba ocupou novamente a Pedreira Paulo Leminski e a Ópera de Arame neste sábado (23) e reuniu mais de 20 mil pessoas em uma maratona de mais de doze horas de música. O line-up, com nomes incríveis da música brasileira, como Seu Jorge com Criolo, AnaVitória, Os Garotin convidando o Fat Family, Gilsons, Lagum, Djonga, Céu, Ana Frango Elétrico e o encerramento com o projeto Dominguinho, encontro de João Gomes, Jotapê e Mestrinho. Mas, entre tantos nomes, foi às 17h em ponto que o festival viveu seu momento mais contagiante.

Marina Sena subiu ao Main Stage com um novo pedestal ao fundo do palco e o frio típico curitibano marcando os 10°C. Bastaram os primeiros minutos para a temperatura mudar. Brilho e pedras compondo o look, um grande acessório no rosto, maquiagem carregada nos olhos, em uma referência clara a Ney Matogrosso e batom vermelho. Estética assumidamente teatral, em sintonia com a direção visual da turnê “Coisas Naturais”.

A apresentação foi a segunda da cantora com o novo formato. Foto: Ian Rassari

O show abriu com “Meu Domínio”, faixa ainda inédita, de sonoridade diferente do que se espera dela, tem quem vá dizer que carrega uma base de rock. A escolha funcionou como declaração de intenção: Marina não está ali para repetir fórmula. Dali em diante, o repertório mergulhou nas canções de “Coisas Naturais”, terceiro álbum da cantora, lançado em março de 2025, carregadas de brasilidade, batuques e referências latinas que dialogam com pop, reggaeton e funk sem nunca soar genérico.

A setlist costurou os três álbuns da carreira — “De Primeira”, “Vício Inerente” e “Coisas Naturais” — e passou também pelo EP de carnaval “Marinada”. Uma travessia que mostra como Marina amadureceu sem perder a assinatura.

A entrega foi de uma artista em pleno auge. Diferente das turnês anteriores, ela dispensou o corpo de balé e ocupou o palco praticamente sozinha, acompanhada apenas por um bailarino em alguns momentos. A escolha deu ao show um caráter mais intimista, com mais espaço para a presença dela e para a banda, que ganhou protagonismo, com percussão e sopros assumindo o pulso da apresentação.

Durante o show, a cantora também agradeceu o carinho dos fãs curitibanos. Foto: Ian Rassari

O momento mais impactante veio com “Desmistificar”. A pista virou outra coisa. A performance ganhou contornos de ritual, com a explosão de luzes potencializando uma energia que parecia vir de outro plano. Quem estava ali saiu de lá com uma memória para a vida inteira.

Não tem como negar: Marina Sena é uma das cantoras brasileiras mais interessantes da atualidade, Com presença de palco, criatividade, sensualidade, uma banda afiada e uma produção cuidadosa em cada projeto. Vem conquistando público a cada turnê, vem ficando maior, e mesmo assim a qualidade do trabalho não cai, não estagna, não se acomoda.

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